Organizações civis criticam projeto que muda Lei da Ficha Limpa: ‘Retrocesso’

Essa proposta, de autoria da deputada federal Dani Cunha (União-RJ), filha do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), cria novas contagens de prazos de...

Publicado em

Por Agência Estado

Organizações de promoção da transparência e do combate à corrupção divulgaram nota pública contra o projeto que muda a Lei da Ficha Limpa. Para eles, a proposição causará “retrocessos para o combate à corrupção” e “enfraquece o sistema democrático”. O tema está na pauta e deverá ser votado no plenário do Senado Federal nesta quarta-feira, 28.

Essa proposta, de autoria da deputada federal Dani Cunha (União-RJ), filha do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), cria novas contagens de prazos de inelegibilidade e beneficiará políticos condenados que perderam o direito de participar das eleições. O próprio Cunha será beneficiado caso o projeto seja aprovado.

Eduardo Cunha teve o mandato (que ia até janeiro de 2019) cassado em novembro de 2016. Na atual legislação, a contagem dos oito anos de inelegibilidade iniciou em janeiro de 2019, o que o faz inelegível por 11 anos, até 2027.

Se o projeto for aprovado pelo Senado, a contagem de Cunha termina em 2024, o que o torna apto para as próximas eleições, de 2026. Cunha tentou, inclusive, candidatar-se como deputado federal em 2022. Seus planos acabaram frustrados.

“A diminuição de tal prazo, conforme estabelecido pelo projeto em questão, contribui única e exclusivamente para a salvaguarda dos interesses daqueles que já se encontram na posição de representantes da cidadania, mas não foram capazes de desempenhar com retidão e moralidade tal função”, diz a nota, assinada por seis organizações.

São signatários o Instituto Não Aceito Corrupção, a Transparência Internacional Brasil, a Associação Fiquem Sabendo, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE e a Transparência Partidária.

O grupo diz que o projeto foi votado de forma “açodada” e a sociedade civil “foi absoluta e indevidamente alijada do processo de construção” do projeto de lei. “Somado à aprovação da PEC da Anistia, o retrocesso na lei da Ficha Limpa evidenciará o distanciamento das prioridades do Congresso Nacional com relação às aspirações da sociedade brasileira de uma política mais ética e responsiva aos seus anseios, afirma.

Para ser aprovado em plenário, um projeto de lei complementar exige maioria absoluta, isto é, 41 senadores. Se aprovada, a matéria ainda vai para sanção ou veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem 15 dias úteis para decidir.

A proposta estabelece três possíveis contagens para o prazo de inelegibilidade. A primeira conta a partir da decisão judicial que decretar a perda do cargo. Ela vale para membros do Poder Executivo e Poder Legislativo em nível federal, estadual e municipal.

A segunda envolve o caso de abuso de poder econômico ou político. A contagem do prazo em caso de decisão transitada em julgada pela Justiça Eleitoral que envolverem o tema é iniciada no ano da eleição em que ocorreu o abuso. O candidato apenas se torna inelegível caso cassação do diploma, registro ou mandato, algo não é exigido atualmente.

Um dos idealizadores da Lei de Ficha Limpa, Márlon Reis, argumenta que essa nova redação pode tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) elegível. Segundo ele, a atual inelegibilidade não implicou em cassação de registro ou diploma, já que ele perdeu o pleito e não foi diplomado, o que o permitiria recuperar sua elegibilidade.

A terceira é em caso de renúncia após representação de membros do Legislativo ou do Executivo que pode levar a abertura de processo por infringir a Constituição em vários níveis. Nesse caso, a data inelegibilidade começa a partir da renúncia.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X