Piloto do voo 2283 deixou bilhete para namorada: ‘Eu vou, mas eu volto’

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Reprodução/Redes sociais

Por Diego Cavalcante

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A namorada de Danilo Santos Romano, o piloto de 35 anos que comandava o avião que caiu em Vinhedo (SP) na sexta-feira (9), resultando na morte de 62 pessoas, usou as redes sociais para prestar uma homenagem ao comandante. Thalita Valente compartilhou, no sábado (10), uma série de Stories no Instagram expressando sua dor e saudade.

Em uma das mensagens, Thalita desabafou sobre o sofrimento que está enfrentando. “Meu único desejo era ter você de volta. Liguei incansavelmente para o seu celular, mas não pude ouvir sua voz. Está sendo desesperador”, escreveu.

Ela também declarou seu amor por Danilo: “Te amo, Danilo, como nunca amei ninguém”, afirmou. Thalita mencionou que o casal estava junto há quatro anos e revelou que tinham planos de ter filhos.

Entre as postagens, Thalita compartilhou um bilhete deixado por Danilo antes de sair de casa. “Obrigado por querer ficar comigo hoje. Eu vou, mas eu volto, hein?”, dizia a mensagem. Na legenda, Thalita escreveu: “Este é o dia mais triste da minha vida”.

O avião de prefixo PS-VPB partiu de Cascavel, no Paraná, às 11h46, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e tinha chegada prevista para as 13h50. Nos minutos finais do voo, a aeronave caiu cerca de 4 mil metros em aproximadamente 1 minuto, segundo dados do Flightradar, uma plataforma de monitoramento de voos.

Corpos são removidos

O governo paulista divulgou às 18h50 desse sábado (10)  boletim informando que foram resgatados todos os corpos das vítimas do acidente com a aeronave ATR-72, da Voepass Linhas Aéreas, ocorrido sexta-feira (9), em Vinhedo, no interior de São Paulo.

Ao todo, 62 corpos, sendo 34 masculinos e 28 femininos, estão sendo encaminhados para a unidade central do Instituto Médico Legal (IML), que fica no bairro de Cerqueira César, em São Paulo, para identificação e posterior liberação às famílias.

A unidade do IML foi fechada para oferecer um atendimento ininterrupto e exclusivo às vítimas da tragédia. Até o começo da noite deste sábado, 50 corpos já tinham sido encaminhados ao IML central e o restante deve chegar nas próximas horas.

Cenipa recupera gravações das caixas-pretas

O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB), brigadeiro do ar Marcelo Moreno, informou em entrevista coletiva à imprensa,neste domingo (11), em Vinhedo (SP), que o órgão conseguiu extrair com sucesso todo o conteúdo dos dois gravadores conhecidos, como caixas-pretas.

“Nessa manhã, temos a informação de que conseguimos, 100% de sucesso, obter as informações de voz, informações de dados que correspondem aos momentos que antecederam a esse trágico evento para a sociedade”, confirmou o militar.

O chefe do Cenipa explicou que estão em poder das autoridades duas caixas pretas do avião matrícula PS-VPB: o gravador de voz, o Cockpit Voice Recorder, e o gravador de dados, Flight Data Recorder. Os dados confirmam que não houve, em nenhum momento, por parte da tripulação da aeronave acidentada, declaração de emergência aos órgãos de controle de tráfego aéreo.

Investigações

O brigadeiro Marcelo Moreno informou que, após a conclusão desta primeira fase de extração e validação dos dados dos dois gravadores, a próxima etapa será iniciada com retorno dos investigadores do Cenipa à sede do órgão, em Brasília.

“Agora, aguardamos a linha de investigação de nossos investigadores, que ainda se encontram aqui comigo [em Vinhedo], regressarem a Brasília para a gente começar a trabalhar na transformação desse número enorme de dados para a informação útil para a sociedade”.

O responsável pelas investigações também explicou que os dois motores da aeronave serão guardados e analisados, na sede do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV), em São Paulo, localizada no Campo de Marte, na capital paulista.

As instalações militares estão subordinadas ao Cenipa, em Brasília: “os motores serão segregados para a anterior análise de nosso pessoal engenheiro qualificado e experiente para emissão de laudo, como uma parte da investigação para se ter certeza se, durante o impacto, os motores estavam ou não desenvolvendo potência”.

O militar estima que o relatório preliminar da investigação será apresentado em 30 dias, seguindo protocolos internacionais.

A declaração foi dada após Moreno frisar que o Laboratório de Análise de Dados de Gravadores de Voo (LabData) da FAB tem capacidade e autonomia para fazer a extração e análise de dados das caixas-pretas, no próprio país, sem necessidade de recorrer à ajuda internacional.

Com informações do Bhaz

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu com o voo 2283 da Voepass em agosto de 2024?
R: No dia 9 de agosto de 2024, o voo 2283 da Voepass, que partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), caiu em um condomínio residencial em Vinhedo (SP) minutos antes do pouso, resultando na morte de todos os 62 ocupantes — 58 passageiros, 4 tripulantes — e uma cachorrinha de estimação. Não houve sobreviventes nem feridos em solo.
Quem eram as vítimas do acidente com o avião da Voepass?
R: As vítimas eram 58 passageiros e 4 tripulantes, incluindo profissionais de saúde, professores, empresários, avós, mães, pais, filhos e crianças, muitos deles moradores de Cascavel (PR). A lista completa inclui nomes como Danilo Romano (piloto), Humberto de Campos Alencar e Silva (copiloto), Debora Soper Avila e Rubia Silva de Lima (comissárias), além de passageiros como Rosangela Souza, Eliane Andrade Freire, Luciani Cavalcanti, entre outros, além da cachorrinha Luna.
Quais foram as principais causas apontadas para a queda do voo 2283?
R: Segundo o relatório da Polícia Federal, a queda foi causada pela perda de controle da aeronave devido ao acúmulo de gelo, à inoperância do sistema pneumático de degelo e à não execução tempestiva e adequada dos procedimentos previstos. O laudo também destacou falhas de gestão, manutenção e segurança da empresa, além de problemas operacionais e técnicos reincidentes.
O que mostraram as investigações técnicas sobre o acidente?
R: O relatório do Cenipa e o laudo da Polícia Federal indicaram que o sistema de degelo apresentou falhas no dia do acidente e em voos anteriores. A tripulação reclamou do funcionamento do sistema e, mesmo diante dos alertas, não executou todos os procedimentos previstos. Também foi apontado que a aeronave operava com limpadores de para-brisa inoperantes, contrariando normas técnicas, e que havia falhas de manutenção e gestão recorrentes.
Quem foi responsabilizado criminalmente pelo desastre aéreo?
R: Em 6 de agosto de 2026, José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass, foi indiciado pela Polícia Federal por integrar a cadeia de decisões da empresa considerada responsável por falhas que contribuíram para o acidente. O inquérito agora será analisado pelo Ministério Público para possível denúncia à Justiça.
Quais outras irregularidades foram identificadas na operação da Voepass após o acidente?
R: Foram identificadas irregularidades como escalas de trabalho que reduziram o tempo de descanso dos tripulantes, descumprimento da Lei dos Aeronautas, falhas recorrentes na manutenção, reutilização irregular de peças, tentativas de esconder aeronaves da fiscalização, reincidência de irregularidades já apontadas e não sanadas, além de descumprimento de exigências da Anac.
Como foi a resposta dos órgãos reguladores e do governo após o acidente?
R: A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou operações de fiscalização assistida na Voepass, determinou redução da malha aérea, aumento do tempo de solo para manutenção, troca de administradores e execução de plano corretivo. Após auditorias constatarem reincidência de falhas, a Anac suspendeu as operações da empresa em março de 2025 e, posteriormente, cassou definitivamente o Certificado de Operador Aéreo. O Ministério de Portos e Aeroportos apoiou a decisão.
Quais foram os impactos econômicos e operacionais para a Voepass após o acidente?
R: Após o acidente, a Voepass enfrentou grave crise financeira, entrou com pedido de recuperação judicial, perdeu exclusividade de slots em aeroportos importantes, demitiu funcionários e teve suas operações suspensas e, depois, cassadas pela Anac. A empresa acumulou dívidas superiores a R$ 400 milhões e não conseguiu retomar suas atividades aéreas.
Como as famílias das vítimas reagiram à tragédia e às ações da Voepass?
R: As famílias criaram uma associação para apoio mútuo, buscar justiça e acompanhar investigações. Elas expressaram indignação com a postura da Voepass, repudiaram o uso da tragédia como justificativa para problemas financeiros da empresa e exigem responsabilização criminal dos envolvidos. Muitas famílias também buscaram indenizações na Justiça, mas destacam que nenhuma compensação financeira substitui a perda dos entes queridos.
Houve denúncias internas sobre problemas na manutenção das aeronaves da Voepass?
R: Sim. Um ex-mecânico da Voepass denunciou publicamente que a aeronave do voo 2283 apresentava constantes problemas técnicos e que alertas sobre sua condição eram ignorados pela chefia. Ele relatou falta de ferramentas adequadas, reutilização irregular de peças e tentativas de esconder aeronaves da fiscalização da Anac.
O cansaço da tripulação foi considerado um fator para o acidente?
R: Uma auditoria do Ministério do Trabalho e Emprego concluiu que a Voepass montou escalas que reduziram o tempo de descanso dos tripulantes, descumprindo a legislação e podendo causar fadiga em nível capaz de prejudicar a concentração e o tempo de reação, o que pode ter contribuído para o acidente.
Como foi a atuação dos políticos e do Congresso após a tragédia?
R: A Câmara dos Deputados criou uma comissão externa para acompanhar as investigações, fiscalizou as operações da Voepass e cobrou explicações da Anac e do Cenipa. Parlamentares apresentaram o Projeto de Lei 5033/2024 para criar um comitê de atendimento a vítimas e familiares de acidentes aéreos e discutir atualização da legislação do setor.
Quais foram os desdobramentos judiciais e indenizatórios após o acidente?
R: Diversas famílias entraram com ações judiciais pedindo indenização por danos morais, materiais e pensão, alegando responsabilidade objetiva das companhias aéreas. Algumas famílias aceitaram acordos de reparação financeira, mas destacam que o principal objetivo é a responsabilização criminal dos envolvidos.
Como o acidente impactou a cidade de Cascavel (PR)?
R: Cascavel foi profundamente impactada, pois 25 das vítimas eram moradores da cidade. A tragédia mobilizou a comunidade, gerou homenagens e eventos em memória das vítimas, como o ato 'Amores Além da Vida'. O acidente deixou marcas emocionais e sociais duradouras na cidade.
A Voepass tentou justificar seus problemas financeiros pelo acidente?
R: Sim, a Voepass alegou que o acidente agravou sua situação financeira e justificou pedidos de tutela preparatória e recuperação judicial com base nesse argumento. A Associação dos Familiares das Vítimas contestou essa versão, afirmando que os problemas financeiros e de manutenção já existiam antes do acidente e foram a verdadeira causa da tragédia.
Quais mudanças ocorreram na malha aérea da Voepass após o acidente?
R: Após o acidente, a Voepass suspendeu a rota do voo 2283 e outros oito trechos, readequando sua malha por ter uma aeronave a menos e por dificuldades operacionais. Com a suspensão e posterior cassação do certificado, a empresa perdeu slots em aeroportos importantes e deixou de operar em diversos destinos.
O que revelou a caixa-preta do voo 2283?
R: As gravações da cabine mostraram que a tripulação identificou falhas no sistema de degelo e discutiu o problema durante o voo, chegando a comparar a aeronave a um 'Fusquinha'. Pouco antes da queda, os pilotos enfrentaram alertas críticos e não conseguiram restabelecer o funcionamento do sistema, culminando na perda de controle da aeronave.
Qual foi a posição da Voepass diante das acusações e investigações?
R: A Voepass negou irregularidades, afirmou que sempre priorizou a segurança, alegou que a aeronave tinha certificação válida e que a reutilização de peças era permitida com rastreabilidade. A empresa declarou seguir protocolos regulatórios e afirmou que nunca tentou burlar fiscalizações.
Quais homenagens e ações de memória foram realizadas pelas famílias das vítimas?
R: As famílias organizaram homenagens como o evento 'Amores Além da Vida', com caminhada simbólica, culto ecumênico e ações solidárias. Livros foram lançados em memória das vítimas, e a associação de familiares atua para manter viva a lembrança dos entes perdidos e lutar por justiça.
Por que o acidente da Voepass é considerado um marco na aviação brasileira?
R: O acidente do voo 2283 foi a maior tragédia da aviação comercial brasileira desde 2007, com 62 mortos. Ele expôs graves falhas de gestão, manutenção e fiscalização no setor aéreo, provocou mudanças regulatórias, impactou milhares de pessoas e gerou uma mobilização nacional por justiça e segurança na aviação.
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