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No oeste do Paraná, empresas do setor de alimentos inovam para sobreviver à crise

Adaptação na produção e criação de novos produtos foram algumas estratégias utilizadas por empresários...

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Por Luiz Oliveira

Segundo especialistas do Sebrae, os segmentos mais sensíveis aos efeitos econômicos da restrição à circulação de pessoas em decorrência do Coronavírus são exatamente aqueles com uma maior interação presencial como: alimentação fora do lar, setor turístico, varejo tradicional, economia criativa (shows, teatros…), serviços de beleza, entre outros.

“Diante da crise e do momento de muitas dúvidas, mudou a forma de consumir, principalmente no setor de alimentos. É preciso que os empresários reajam rapidamente, foquem a atenção nos clientes e busquem atender às demandas do período”, indica o consultor do Sebrae/PR, Emerson Durso.

Na região oeste do Paraná não foi diferente. Na área de alimentação, em especial, os efeitos já foram sentidos desde o começo da segunda quinzena de março, quando algumas medidas passaram a restringir acesso e circulação de pessoas em restaurantes e supermercados, por exemplo.
Jacir Losso, sócio-gerente da Pães Casa Bella, uma indústria de panificação em Medianeira, precisou de estratégias rápidas para entender o novo perfil de consumo e a atender as novas demandas dos clientes.

“Há mais de 20 anos, trabalho no ramo da panificação. Com a indústria, sempre tivemos uma produção variada. Mas desde que as recomendações de distanciamento social começaram, percebemos uma queda brusca na venda de cucas e pães convencionais e um aumento expressivo da saída de pães para sanduíches e massas de pizzas. Rapidamente, mudamos a nossa linha de produção e passamos a atender às demandas específicas dos consumidores neste momento”, relata Jacir.

A mudança de comportamento dos clientes, segundo ele, tem relação direta com as medidas de distanciamento social, que podem ajudar na diminuição do contágio e disseminação do novo Coronavírus. Isso porque as cucas, pães doces tradicionais na região Sul do País, são mais consumidas em momentos de confraternização familiar em volta da mesa. Com a cautela nas visitas, as famílias passaram a ficar mais em casa e, diante disso, o padrão mudou: agora, os lanches rápidos têm mais procura.

“Nossa demanda de massas de pizza aumentou 15%. Em alguns dias, vimos o produto acabar rapidamente nos pontos de venda. Para não perder a oportunidade, flexibilizamos as planilhas de pedidos e adaptamos a produção de acordo com a oscilação do consumo”, relata o empresário.

Mesmo com o aumento, no entanto, a indústria passou por dificuldades. Isso porque Jacir fornece pães e massa de pizza para festivais e eventos, em geral. No ano passado, a empresa já havia fechado contrato com festas e exposições de várias partes do Paraná e com o cancelamento dos eventos, houve queda de 10% no faturamento total.

Outra empresa que também precisou se adaptar para passar pelos obstáculos gerados pela crise, foi a Harlem Hamburgueria, de Cascavel. Percebendo que o momento era de incertezas para todos, e não só para o negócio, os empresários decidiram implementar a redução de custos como base para toda as ações.

“Quando começamos a perceber a dimensão da crise, imaginávamos uma queda de faturamento e, por isso, nos reunimos para planejar ações que pudessem reduzir os custos da empresa. Precisamos dispensar alguns funcionários e mudamos toda a nossa logística de funcionamento para atender a demanda do público”, conta o empresário Matheus Celuppi.

Uma das ações foi a mudança no horário de atendimento. Antes da crise, a empresa só abria no período noturno e, agora, passou a oferecer almoços e refeições durante o dia. Outra estratégia implementada diz respeito ao delivery: antes, a hamburgueria fazia parte de alguns aplicativos terceirizados de entrega, mas para conseguir diminuir os custos, passou a adotar um sistema próprio de pedidos e entregas por site e aplicativo da Harlem.

“Também percebemos que os clientes que estão em casa precisavam de algo diferente. Por isso, criamos o ‘kit hambúrguer’, em que enviamos todos os ingredientes e até um guia ilustrativo para que a pessoa faça algo bacana com a Harlem sem precisar sair de casa”, observa Matheus.

Diante dessas e outras ações, a hamburgueria conseguiu manter grande parte dos funcionários empregados e registrou 30% de queda no faturamento total – menor do que a prevista, diante das condições. Com as entregas de almoço e outras refeições, a empresa espera recuperar as perdas rapidamente. “Acredito que vamos superar tudo isso. Essa crise vai acabar e sairemos dela ainda mais fortes”, pontua Matheus.

Para isso, o consultor do Sebrae/PR aconselha: é preciso que as mudanças geradas agora sejam prósperas e aprimoradas com o tempo.

“Dado o contexto dessa crise, as pessoas estão mais atentas para a procedência dos alimentos e questões relacionadas à saúde. Abre-se uma grande oportunidade para aquelas empresas que se preocupam com esses elementos e entregam não só um produto, mas qualidade e experiência ao cliente”, finaliza Durso.

O texto é da Assessoria de Comunicação do Sebrae.

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