
Oncologistas temem que crise do coronavírus faça aumentar mortes por câncer no Paraná
Quase 11 mil vidas são ceifadas no Paraná por conta do câncer anualmente......
Publicado em
Por Redação CGN
A cada ano, quase 11 mil vidas são ceifadas no Paraná por conta do câncer.
Segundo informações levantadas por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, entre 1996 e 2018 um total de 247.548 paranaenses perderam suas vidas por conta dos mais diversos tipos de neoplasias.
Em 2018, último ano com dados disponíveis, houve um recorde de óbitos, com 14.598, o que indica 538 mortes a mais do que no ano anterior. E o temor dos oncologistas é que a crise do coronavírus acabe resultando num aumento ainda maior no número de mortes.
Presidente da regional do Paraná da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o Doutor Bruno Roberto Braga Azevedo aponta a redução no número de diagnósticos de câncer e o abandono do tratamento como alguns dos fatores de risco para aumento na mortalidade oncológica.
No Paraná, comenta ainda o cirurgião oncologista, houve uma diminuição de 70% nas amostras enviadas para análise patológica, o que significa queda nos diagnósticos, enquanto o número de pacientes fazendo quimioterapia caiu 50%.
Até mesmo o tratamento quimioterápico via oral, no qual o paciente realiza o tratamento em casa, com o uso de comprimidos, teve queda de 20%.
“O que nos preocupa é o paciente entender que não dá para abandonar o tratamento agora. O paciente oncológico, na grande maioria das situações, não pode ficar em casa, esperando sair a vacina [contra a Covid-19] para retomar o tratamento. Não gozamos desse tempo para ficar aguardando e observamos que o paciente parou de ir do consultório”, afirma o especialista. “Câncer de mama é um exemplo prático. Enquanto está apenas na mama, conseguimos tratar com efeito curativo. Se tenho uma metástase [formação de uma nova lesão tumoral noutro local do corpo], só uma metástase, já não é mais uma paciente que consigo curar. Então tempo é sinônimo de chance de cura”.
Ainda segundo o presidente da SBCO, uma pesquisa feita no Reino Unido indica que a mortalidade geral por câncer pode crescer até 20% em decorrência dos diversos impactos causados pelo coronavírus.
A estimativa do University College London e do DATA-CAN, o Centro de Pesquisa de Dados de Saúde para o Câncer, é de que quase 18 mil pessoas podem morrer no próximo ano de alguma neoplasia por conta dos impactos da Covid-19.
No Paraná, esse aumento representaria, no mínimo, mais 2.152 óbitos causados por neoplasias. Isso considerando a média de 10.762 mortes causadas por câncer ao ano, registrada entre 1996 e 2018. “Isso é pelo diagnóstico atrasado, pelo atraso no tratamento quimioterápico e pela própria infecção do coronavírus”, comenta Azevedo.
Informações do Bem Paraná
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