Política monetária restritiva de avançados é fundamental para conter inflação mundial, diz BC

Em longos parágrafos do documento, o Copom expôs os motivos pelos quais considera que a conjuntura internacional se mostra incerta. Apesar do processo de desinflação decorrente...

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Por Agência Estado

Assim como nas falas dos diretores do Banco Central desde a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto, o cenário externo teve amplo destaque na ata do encontro da semana passada divulgada nesta terça-feira, 26. O colegiado reduziu a taxa básica de juros pela segunda vez consecutiva, de 13,25% para 12,75% ao ano.

Em longos parágrafos do documento, o Copom expôs os motivos pelos quais considera que a conjuntura internacional se mostra incerta. Apesar do processo de desinflação decorrente das menores pressões sobre commodities, do aperto monetário global e da normalização das cadeias, o BC repetiu que há um recuo lento nos núcleos de inflação.

“Prospectivamente, restam incertezas sobre a dinâmica da inflação global. Os riscos referentes a fenômenos climáticos, guerra na Ucrânia e política internacional de preços de petróleo sugerem a possibilidade de renovadas pressões inflacionárias de oferta. A isso somam-se a resiliência do mercado de trabalho e um hiato do produto apertado nas economias avançadas, em ambiente de inflação de serviços ainda pressionada em diversas economias”, alertou o Copom.

Por outro lado, a ata destacou a determinação dos bancos centrais em controlar a inflação por meio da manutenção do aperto da política monetária por período mais prolongado. “As políticas monetárias restritivas dos países avançados têm sido fundamentais para conter a inflação mundial, facilitando o controle inflacionário dos países emergentes. De todo modo, o aperto monetário global pode ter impacto sobre os ativos domésticos, o que levaria a um processo desinflacionário interno mais lento no curto prazo”, completou o BC.

Ao analisar o cenário de crescimento da economia global, o documento destacou a resiliência da atividade e do mercado de trabalho nos Estados Unidos, em contraposição a um menor crescimento projetado para a China. A ata revelou que alguns membros do Copom atribuem maior probabilidade a uma moderação suave na atividade das principais economias, em particular a norte-americana, ainda que não se descarte uma desaceleração mais brusca. Por outro lado, alguns membros seguiram enfatizando os riscos de uma desaceleração sincronizada.

“Em sua discussão, o Comitê avalia que parte da redução de crescimento da economia chinesa é estrutural, mas a magnitude das respostas contracíclicas que podem vir a ser implementadas ajudará a definir não só a dinâmica de crescimento, como seus impactos sobre os preços de commodities e sobre a economia brasileira”, destacou o BC.

Juros

Ao debater a elevação das taxas de juros de longo prazo nos países avançados, o Copom avaliou se esse movimento pode refletir a percepção de elevação da taxa neutra nesses países, o aumento do produto potencial, uma “iliquidez sazonal” dos mercados ou um maior prêmio fiscal em função de déficits nominais persistentes. De acordo com a ata, o colegiado deu maior ênfase às perspectivas fiscais, em particular nos Estados Unidos, e como isso impactaria as condições financeiras globais.

Assim como foi feito em relação à atividade doméstica, a diretoria do BC debateu as causas para a resiliência observada em diversas economias mesmo diante de ciclos de aperto monetário historicamente intensos.

“Alguns membros notaram impactos latentes de impulsos fiscais ainda elevados em importantes economias. Entretanto, enfatizou-se que a determinação dos bancos centrais em levar a inflação para a meta e a credibilidade conquistada, permitindo uma ancoragem sólida das expectativas de inflação, têm contribuído para a ocorrência de processos de desinflação envolvendo menores sacrifícios em termos de atividade”, concluiu o Copom.

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