
Aeroturismo Parlamentar: Gastos aéreos de Deputado poderiam pagar salário mínimo de 71 trabalhadores
Um levantamento da CGN revela que diversos deputados federais do Paraná têm usado e abusado dos recursos destinados a viagens aéreas, com gastos que beiram os R$ 100 mil...
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Por Redação CGN
Enquanto para a maior parte da população brasileira viajar de avião é quase um luxo inalcançável, dada a exorbitância dos preços praticados pelas companhias aéreas em comparação aos padrões internacionais, os políticos do país parecem viver em outra realidade. Um levantamento da CGN revela que diversos deputados federais do Paraná têm usado e abusado dos recursos destinados a viagens aéreas, com gastos que beiram os R$ 100 mil.
Em países europeus ou nos Estados Unidos, o transporte aéreo é visto como uma necessidade e não um luxo. Nesses locais, tanto a infraestrutura aeroportuária quanto as tarifas são muito mais acessíveis e competitivas. No Brasil, no entanto, este cenário é radicalmente diferente.
A Câmara Federal oferece aos deputados três modalidades para aquisição de passagens aéreas: SIGEPA, Reembolso e Requisição de Passagem Aérea (RPA). Estas formas permitem, respectivamente, que os parlamentares façam reservas diretamente com as companhias credenciadas, comprem passagens para posterior reembolso e solicitem passagens emitidas por empresas credenciadas a partir de uma fatura global.
SIGEPA
Focando nos gastos dos deputados paranaenses, a CGN identificou os maiores “passeadores” de avião nas três modalidades. Pelo SIGEPA, o deputado Filipe Barros encabeça a lista, com impressionantes R$ 94.697,76 gastos. Ele é seguido de perto por Pedro Lupion, que despendeu R$ 83.572,31, e por Zeca Dirceu, com R$ 82.137,67.
RPA
A modalidade RPA mostra o deputado Luiz Nishimori liderando com R$ 61.752,54, enquanto Sargento Fahur e Sergio Souza gastaram, respectivamente, R$ 40.649,03 e R$ 16.917,77.
REEMBOLSO
Já na categoria Reembolso, Gleisi Hoffmann surge disparada com R$ 43.519,59, enquanto Diego Garcia e novamente Sargento Fahur fecham o top 3 com gastos de R$ 12.703,97 e R$ 10.732,89.
Fraudes
Uma dúvida que se tem é se é possível que deputados federais consigam fraudar os sistemas para receber o dinheiro que deveria ser gasto com locomoção aérea, pois como já vimos, os valores são muito altos e aparentemente, é muito dificil gastar estas somas apenas com passagens aéreas. Sendo assim, a CGN analisou as vulnerabilidades inerentes a cada um desses sistemas.
Ao examinar esses três métodos, é claro que todos eles têm potenciais vulnerabilidades. O que é mais “fácil” de fraudar depende em grande parte dos controles internos, da supervisão, da transparência e das medidas de auditoria em vigor. A integridade e a honestidade são essenciais, e as instituições precisam ter mecanismos robustos de fiscalização para garantir a utilização correta dos fundos públicos.
Comparação
É quase surreal pensar que enquanto o trabalhador brasileiro se esforça para sobreviver com um salário mínimo de R$ 1.320,00, seus representantes gastem somas astronômicas com viagens aéreas. Se pegarmos como exemplo o montante gasto por Filipe Barros no SIGEPA, ele poderia bancar o salário mínimo de mais de 71 trabalhadores por um mês.
É imperativo que nossos políticos tenham uma real consciência do valor do dinheiro público e façam uso dele de forma justa e responsável. Afinal, em um país onde viajar de avião é um privilégio, tais cifras soam como um escárnio àqueles que mal conseguem colocar comida na mesa.
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