Exterior positivo é incapaz de animar Ibovespa por dúvidas fiscais; perda mensal supera 4%

Após subir 0,09%, na máxima aos 117.636,62 pontos, o Ibovespa passou a ceder, chegando à mínima dos 116.634,50 pontos (-0,77%). Em meio ao avanço do dólar...

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Por Agência Estado

Preocupações com o rumo das contas públicas do Brasil sobrepõem ao exterior positivo, onde as bolsas americanas e europeias, além das commodities sobem. Por aqui, os investidores estão à espera do envio da peça orçamentária pelo governo ao Congresso na tarde desta quinta-feira, 31.

Após subir 0,09%, na máxima aos 117.636,62 pontos, o Ibovespa passou a ceder, chegando à mínima dos 116.634,50 pontos (-0,77%). Em meio ao avanço do dólar para a faixa dos R$ 4,9446 (máxima) e dos juros futuros, diante de temores inflacionários, ações ligadas ao consumo recuam. Ainda cedem os papéis de grandes bancos e as da Petrobras, a despeito da alta perto de 1,00% do petróleo em Londres (tipo Brent, referência para a estatal).

Neste ambiente, o Ibovespa caminha para fechar agosto com recuo de pouco mais de 4,00%. Ontem, fechou em baixa de 0,73%, aos 117.535,10 pontos, puxado por duvidas fiscais.

Na quarta-feira, foi aprovada a desoneração da folha de salários para 17 setores da economia até 2027. A notícia ofusca o efeito positivo esperado da aprovação do projeto que restaura o voto de qualidade do Carf. O aval do Senado ao projeto do Carf representa uma vitória do ministério da Fazenda na busca de cumprimento da meta de zerar o déficit primário do governo federal em 2024. Porém, o assunto ainda gera incerteza no mercado.

“O mercado tem passado por semanas difíceis, a liquidez está reduzida, falta muito catalisador interno. O mercado ainda está cético quanto à capacidade de o governo zerar o déficit primário em 2024. Essa meta de zeragem do déficit, de elevar a arrecadação é audaciosa”, avalia Felipe Moura, sócio e analista da Finacap Investimentos.

Nesta quinta, o resultado primário do setor público, informado mais cedo, com déficit R$ 35,809 bilhões em julho – pior do que a mediana negativa de R$ 30,850 bilhões – eleva a cautela doméstica.

O economista Matheus Pizzani, da CM Capital, destaca os números piores do que o esperado da dívida pública brasileira em julho. Segundo ele, o principal motivo para a deterioração acentuada foi o déficit primário do governo central, informado ontem que veio muito maior do que as estimativas apontavam inicialmente, “resultado direto do crescimento de aproximadamente 40% com gastos previdenciários no período.”

“A expectativa é que o comportamento do mês de julho se repita ao longo do segundo semestre de 2023, uma vez que a tendência é que a arrecadação do governo sofra uma piora gradual seja por conta de fatores sazonais ou mesmo em função da já esperada desaceleração do nível de atividade econômica, que afetará tanto a arrecadação direta de impostos quanto a arrecadação via mercado de trabalho”, avalia Pizzani, em nota.

O setor de bancos continua no radar do mercado, em meio à possibilidade de fim da dedutibilidade dos juros sobre capital próprio (JCP). “É um tema que o mercado já conhecia. Então, não é só isso que contamina o Ibovespa. Há recuo em bloco das ações. Vimos a dívida pública brasileira em ascensão hoje, bem alta. As incertezas continuam, e isso pode gerar volatilidade em setembro, dadas as dúvidas em relação à capacidade de o governo aumentar a arrecadação”, diz Moura, da Finacap.

Os investidores ainda seguem atentos a sinais sobre política monetária. O indicador preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), o Índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), que saiu mais cedo, ficou perto da estabilidade.

A divulgação vem após dados fracos recentes de atividade nos EUA sugerindo fim da alta dos juros por lá, com a taxa permanecendo no nível atual por mais tempo. As bolsas americanas sobem moderadamente. “O resultado perto da estabilidade não é ruim, mas era importante vir queda. Assim, eleva ainda mais a pressão para o payroll, dado de emprego que sai amanhã nos Estados Unidos”, avalia o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Às 11h10, o Ibovespa caía 0,83%, aos 116.573,19 pontos, ante mínima aos 116.489,08 pontos (-0,89%).

Entre os grandes bancos, o recuo superava 1,00%, mesmo nível da queda dos papéis da Petrobras, apesar da alta do petróleo. Vale ponderar que as ações da estatal acumulam ganhos substanciais, de mais de 60% em 2023 (PN) e de mais 50% (ON). Vale ON subia 1,43%. Hoje, o minério subiu cerca de 3,50% em Dalian, na China. Do lado do consumo, CVC ON caía 4,74%, puxando o grupo das quedas, após avanço na véspera.

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