Campos Neto: Juros reais no Brasil já foram muito mais altos

Campos Neto defendeu que esse ciclo de juros no Brasil está bem coordenado com a maior parte dos países, mas que nem sempre foi assim. Sobre...

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Por Agência Estado

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reafirmou nesta segunda-feira, 28, que os juros reais no Brasil já foram muito mais altos do que são hoje.

Campos Neto defendeu que esse ciclo de juros no Brasil está bem coordenado com a maior parte dos países, mas que nem sempre foi assim. Sobre o nível dos juros reais hoje, o presidente do BC, admitiu que eles são altos, mas ponderou que proporcionalmente são menores do que já foram na média dos períodos passados. A diferença em relação ao praticado em outros países também diminuiu, emendou.

“Grande parte dos países como forma de enfrentamento à pandemia teve que subir juros muito mais proporcionalmente do que o Brasil teve”, afirmou. Grande parte desses países, ainda segundo Campos Neto, está com um pouso da economia menos suave do que o brasileiro.

Ao listar os motivos que ajudam a explicar o nível do juro real no País, o presidente do BC disse que a recuperação do crédito está no centro do debate. “Poucos países têm uma recuperação de crédito pior que o Brasil, é algo dramático”, disse Campos Neto, que atribui o problema, em parte, a ser um processo judicial demorado.

A dívida maior e a taxa de poupança baixa também foram citados como razões para o juro real elevado no Brasil, assim como o crédito direcionado. “Se quisermos viver com uma taxa de juros mais baixa por um tempo maior, temos que priorizar o que de fato é importante em termos de direcionamento.”

Surpresa na questão do crescimento, mesmo sem agricultura

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que mesmo sem o efeito da agricultura, a atividade tem apresentado surpresas para cima na questão do crescimento.

Campos Neto citou que está vendo casas revisando suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) para cima, e que já observa projeções de desemprego abaixo de 8,0% no fim do ano, ante taxas de 9,5% há cerca de três meses. As reformas feitas nos últimos anos, para o presidente do BC, explicam parte desse cenário.

Campos Neto participou de painel no Warren Institutional Day, em São Paulo.

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