Presidente do Fed quer regras mais rígidas para bancos com ativos entre US$ 100 bi e US$ 250 bi

Os comentários fazem parte de um discurso preparado para reunião destinada a discutir novas propostas levando em consideração o Ato Dodd-Frank e o sistema internacional Basileia...

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Por Agência Estado

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, defendeu a criação de regras mais rígidas de capital para bancos com ativos entre US$ 100 bilhões e US$ 250 bilhões, de forma a reduzir riscos bancários nos Estados Unidos. “O sistema bancário dos EUA está robusto e resiliente. Devemos preservar e construir a partir desta força e diversidade”, afirmou.

Os comentários fazem parte de um discurso preparado para reunião destinada a discutir novas propostas levando em consideração o Ato Dodd-Frank e o sistema internacional Basileia III. Após o encontro, o BC americano deve divulgar as propostas publicamente para um período de consultas de 120 dias.

Segundo ele, níveis elevados de capital aumentam a resiliência de bancos em tempos de estresse e, apesar de já possuírem “níveis fortes de capital e liquidez”, as instituições americanas poderiam se beneficiar das novas regras. Powell detalha que o objetivo das mudanças propostas é atingir metas sensíveis, abordando riscos similares entre os bancos, o que pode exigir a eliminação do uso de modelos internos de riscos de crédito e operacionais. “São propostas que excedem as exigências da Basileia III”, revela o dirigente.

Contudo, Powell alerta que existiriam riscos para esta estratégica, como o declínio rápido da liquidez e do acesso ao crédito em mercados críticos, devido ao aumento nos custos operacionais dos bancos. Isto poderia provocar a transferência de algumas atividades para o shadow banking, alerta o presidente. “Devemos garantir que benefícios anti-arbitrários superem custos de tratar os riscos bancários, ao desencorajar operações arriscadas”, pontuou.

Powell reforçou que, para calibrar as vantagens e os prejuízos de regras mais rígidas, o BC americano estará atento ao feedback do público, em especial sobre como as propostas poderiam impactar a atividade nos mercados de capital e os riscos operacionais.

Proposta de elevar capital de bancos parece não trazer benefícios que a justifique, diz Bowman

Diretora do Federal Reserve (Fed), Michelle Bowman se posicionou contrária à proposta de alteração das exigências de capital dos grandes bancos dos Estados Unidos, para aumentar a resiliência do setor bancário.

Em reunião aberta dos dirigentes do Fed, Bowman ponderou que “impor aos bancos pequenos as mesmas regras desenhadas para os grandes é preocupante”, e que não há evidência clara de que os benefícios de alterar a regulação justificaria os custos de sua implantação. Ela pontua que fazer essa análise de custo e benefício é fundamental para decidir as novas regras, e que é preciso julgar se a mudança na regulação não vai ampliar os desafios do sistema bancário.

Em seu discurso, ela diz que a proposta de alteração falha em levar em consideração as distintas estruturas de capital e os diferentes riscos. Além disso, segundo a dirigente, elevar o capital a todos os bancos acima dos US$ 100 bilhões em ativos, conforme proposto na mudança, poderia desencadear uma série de fusões, e uma onda de fusões bancárias causaria efeitos nocivos à competição.

Para a oferta de crédito, a proposta poderia reduzir a disponibilidade e elevar o preço do crédito. “Este efeito seria tangível nas atividades bancárias”, afirmou, e quem arcaria com os custos da mudança seriam os tomadores de empréstimos.

Ela argumenta que o atual nível de capital do sistema bancário americano já é um ponto forte para a resiliência e os testes de estresse, e que não há evidências de que elevar o nível de capital resolva as deficiências do sistema. “A proposta de alteração não deixa claro quais outras mudanças poderiam ser propostas na regulação de capital”, disse.

Bowman destacou que considera o sistema bancário americano forte e resiliente, e que ele permanece muito mais capitalizado que depois da crise de 2008. As recentes quebras bancárias são consequência da fraca gestão de risco, ponderou, e não da capitalização. Ela julga que ainda há muito a aprender com as recentes quebras bancárias.

Mesmo assim, ela reforça que está “aberta a considerar propostas para aperfeiçoar a regulação de capital”, e que “todas as regras devem ser revisadas, não só as de exigência de capital” contanto que seja considerado um cenário regulatório amplo e como as mudanças de capital o afetariam. Ela se posicionou favorável à regulação de liquidez e a novas medidas prudenciais para a resiliência bancária.

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