Juros: Taxas curtas e médias ficam de lado à espera do Copom; longas caem com exterior

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 13,03% (máxima), de 12,993% ontem no ajuste, e a do DI para...

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Por Agência Estado

O compasso de espera pela decisão do Copom nesta noite resultou em movimentos laterais nos juros futuros de curto e médio prazos, mas a ponta longa se firmou em queda à tarde. Com a expectativa de manutenção da Selic em 13,75% para hoje consolidada há semanas, o foco da reunião é o comunicado, mais especificamente é esperada uma flexibilização na linguagem que sinalize para o início dos cortes da taxa básica no segundo semestre. O mercado esteve de olho também no ambiente internacional e na tramitação do arcabouço fiscal no Senado.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 13,03% (máxima), de 12,993% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 encerrou em 11,11%, de 11,07% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2027 terminou em 10,50%, de 10,53%, e a do DI para janeiro de 2029 em 10,80%, de 10,88%.

Na sequência da trajetória vista já nas últimas sessões, as taxas tiveram oscilações discretas até os vértices intermediários, mais sensíveis à expectativa para a política monetária, na medida em que o mercado vê como bem precificada a chance de que o colegiado suavize o tom. Há expectativa pela retirada ou modificação do trecho presente no comunicado de maio em que o comitê afirmava que “apesar de ser um cenário menos provável, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

“O que temos hoje é um ajuste fino do mercado para o Copom, com o mercado precificando menos o exterior”, afirma o economista Rafael Rondinelli, do Banco Modal. Ele lembra que desde a última reunião uma série de variáveis evoluiu para atender aos pré-requisitos para a abertura do ciclo de distensão monetária. Os índice de inflação ao consumidor e também no atacado recuaram e mostraram melhora em sua composição, as expectativas de inflação tanto no Boletim Focus quanto nas implícitas das NTN-B caíram para este e os próximos anos, recuaram ainda os preços de commodities e o câmbio se valorizou.

Por fim, o cenário fiscal está mais equilibrado com o avanço na tramitação do texto do arcabouço fiscal no Congresso. O texto passou pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), como esperado, e não se descarta que seja votado ainda hoje em plenário.

Neste dia do Copom, integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o chamado “conselhão”, aproveitaram para reforçar o coro pela abertura do ciclo de cortes da Selic. Em carta aberta, pediram aos diretores o início da queda dos juros no País. “É hora de baixar os juros para retomar a atividade econômica, gerar emprego e renda. É urgente uma política monetária adequada”, diz o documento.

Mas o economista-chefe da Blue3 Investimentos, Roberto Simioni, afirma que para esta reunião o consenso é de que não haja qualquer alteração na Selic, “uma vez que na semana que vem ocorrerá uma reunião muito mais estratégica, que é a do Conselho Monetário Nacional (CMN)”. Na pauta, estará a definição da meta de inflação para 2026 e possibilidade de também se rever para cima as já fixadas para 2024 e 2025, além da possibilidade de ser discutida a proposta de alteração do atual modelo de ano-calendário para um modelo de meta constante no tempo.

Do exterior, os mercados adotaram postura defensiva pela manhã após dado de inflação acima do esperado no Reino Unido e da afirmação do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na Câmara dos EUA que pode fazer sentido elevar mais os juros, apesar de indicar que o ritmo poderá ser mais moderado. À tarde, os yields dos Treasuries viraram para baixo, em meio a leilão de T-Bonds e declarações do presidente da distrital do Federal Reserve (Fed) em Atlanta, Raphael Bostic, o que aliviou as taxas locais nos contratos com vencimento de 2029 em diante. Bostic indicou apoio à manutenção dos juros no nível atual (entre 5,00% e 5,25%) pelo restante deste ano, em um esforço para evitar dano significativo à economia dos Estados Unidos.

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