Lula e Zelenski esperaram esforço um do outro, e a paz saiu perdendo

O governo ucraniano informou ao brasileiro o interesse na bilateral ainda no sábado, 20, quando Zelenski chegou a Hiroshima poucas horas após confirmar sua presença na...

Publicado em

Por Agência Estado

Frustrou-se quem apostava na reunião bilateral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para discutir a guerra na cúpula do G-7 em Hiroshima, Japão. A verdade é que nenhum dos lados lançou mão de todos os seus esforços para viabilizar a agenda. As delegações que buscavam um horário comum sequer chegaram a tratar de um local para o esperado encontro. Com o fim da cúpula, quem saiu perdendo nessa foi a paz, supostamente almejada.

O governo ucraniano informou ao brasileiro o interesse na bilateral ainda no sábado, 20, quando Zelenski chegou a Hiroshima poucas horas após confirmar sua presença na cúpula do G-7. No mesmo dia, o presidente da Ucrânia conseguiu se encontrar, por exemplo, com os premiês de Reino Unido, Itália, França e até mesmo da Índia, que é muito mais próxima de Moscou do que de Kiev. Mas não havia espaço na agenda do presidente do Brasil.

Para o domingo, a equipe de Lula acenou com alguns horários disponíveis, mas aí era o ucraniano quem estava ocupado naqueles momentos. Não se discutiu em nenhum momento remanejar outras bilaterais marcadas anteriormente pelo Itamaraty. Sem a possibilidade de um encontro formal, nem um abraço rápido acompanhado por foto nas redes sociais, como feito com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aconteceu.

Lula ficou sentado na plenária do G-7 enquanto outros líderes se levantavam para cumprimentar Zelenski. O presidente parece ter resistência ao estilo popstar do ucraniano, ex-comediante que tem rodado o mundo em busca de apoio e dinheiro para não sucumbir a Vladimir Putin. Não fez questão de encontrá-lo e não quer ser porta-voz da Ucrânia no Cone Sul. Mas perdeu a oportunidade de se aproximar do protagonismo sonhado na costura de um ainda distante pacto de paz entre os países em guerra.

O interesse maior na reunião era de Zelenski, ao tentar ampliar seu leque de alianças para resistir à ofensiva russa. Mas tudo indica que ele percebeu a má vontade nos movimentos de Lula, que resistia a encontrá-lo diante da forte pressão internacional, sobretudo dos americanos, para fazê-lo. “Encontrei todos os líderes. Quase todos. Todos têm suas agendas próprias. Acho que é por isso que não pudemos encontrar o presidente do Brasil”, disse o ucraniano em coletiva de imprensa. Disse em tom de “me engana que eu gosto”.

Para Lula, deixar o hotel em que passou a tarde em reuniões para se encontrar com Zelenski em outro lugar seria um movimento visto como “parte interessada” enquanto o Brasil quer manter o discurso de neutralidade.

Para Zelenski, seria quase rastejar-se encontrar o brasileiro a qualquer custo, sob qualquer condição, algo incomum no xadrez delicado da política externa. Principalmente se fosse no hotel em que o petista está hospedado em Hiroshima – um local sem o aparato de segurança necessário para receber um chefe de governo em guerra.

Torna-se imperativo um adulto na sala com distanciamento dos dois lados para diminuir as tensões globais.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X