Inflação não é de oferta e precisa do trabalho que está sendo feito, diz Campos Neto

No debate, Campos Neto repetiu que a inflação é um imposto perverso e que prejudica mais as classes mais baixas. “Empresas e pessoas com mais recursos...

Publicado em

Por Agência Estado

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a defender, em debate sobre juros no Senado nesta quinta-feira, 27, que há inflação de demanda no Brasil, ao contrário do que criticam alas do governo federal. “Portanto, precisa do trabalho que está sendo feito”, disse, defendendo a estratégia atual do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve, em março, a taxa Selic em 13,75% ao ano pela quinta vez seguida.

No debate, Campos Neto repetiu que a inflação é um imposto perverso e que prejudica mais as classes mais baixas. “Empresas e pessoas com mais recursos conseguem se proteger da inflação. Aumento da inflação reduz o prazo médio do crédito e atrapalha investimento.”

Diante das críticas sobre o prejuízo à atividade econômica, o presidente do BC também voltou a dizer que o BC sempre atua na Selic de forma a “suavizar ao máximo o ciclo”.

Nesse contexto, citou que o desemprego melhorou recentemente, embora ainda alto, e que o crédito desacelera de forma organizada.

Campos Neto também voltou a dizer que o alto nível de crédito direcionado no País reduz a potência de política monetária, levando a uma necessidade de um juro básico mais alto para controlar a inflação. “Juros são altos por recuperação de crédito baixa, endividamento alto e baixa poupança. Volume de crédito direcionado é alto, é como uma tubulação entupida.”

Descolamento de metas

O presidente do Banco Central ainda rebateu novamente que o Brasil tenha descumprido a meta de inflação mais do que pares internacionais e disse que o descolamento de metas ocorreu quando se aceitou mais inflação em troca de crescimento.

Ele citou os exemplos recentes de Argentina e Turquia. “Argentina e Turquia trocaram inflação por crescimento e tiveram mais inflação e menos crescimento no fim das contas.”

Campos Neto repetiu que o Brasil teve sete estouros de metas em 24 anos, um número similar a pares, como o Chile e o Peru. “Temos sistema de metas de inflação que funciona muito bem em todos os países. Passamos a maior parte do tempo dentro da banda do regime de metas.”

Sobre o atual nível de metas, o presidente do BC citou que países desenvolvidos têm meta de 2% e, em muitos pares emergentes, o nível é igual ao do Brasil, de 3%. “Entre os países relevantes, apenas África do Sul e Índia têm metas acima de 3,00%.”

Campos Neto ainda repetiu que é consenso que a autonomia de bancos centrais provoca menor inflação e volatilidade.

O presidente do BC participou do debate “Juros, Inflação e Crescimento”, promovido pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. O debate também contou com a participação dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, além de presidentes de entidades e de economistas.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X