
Após xingar e ameaçar cliente, CEO da Hurb renuncia e cita Eminem em carta
Na última semana, começou a repercutir nas redes sociais um áudio em que Mendes xinga e ameaça um cliente da Hurb, expondo dados dele em um...
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Por Diego Cavalcante
Em meio a várias denúncias, cancelamentos de viagens e atrasos de pagamento, o CEO da Hurb, antiga “Hotel Urbano”, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (24). Em carta de demissão divulgada nas redes sociais, João Ricardo Mendes ainda citou uma música do rapper Eminem.
Na última semana, começou a repercutir nas redes sociais um áudio em que Mendes xinga e ameaça um cliente da Hurb, expondo dados dele em um grupo de WhatsApp. “Tu não tem dinheiro para viajar para lugar nenhum. Tá arriscado alguém bater na merda da sua casa”, disparou o CEO da empresa de turismo.
As ameaças se deram em meio a várias reclamações de consumidores, entre eles o cliente exposto, que não teve as passagens aéreas emitidas. A Hurb é conhecida por oferecer pacotes baratos e flexíveis de viagens, mas as queixas se acumularam nos últimos anos.
Com a fama negativa, alguns hotéis passaram a suspender as reservas de hospedagens feitas pela plataforma.
Renúncia
Nesta segunda-feira (24), João Ricardo Mendes divulgou uma carta de renúncia por meio das redes sociais da Hurb. Nela, o empresário diz que os acontecimentos recentes foram erros dele mesmo, e não da empresa como um todo.
“Está claro que este acontecimento é um reflexo de mim – e as críticas que recebi são um forte lembrete de que devo mudar fundamentalmente como líder e crescer. Esta é a primeira vez que estou disposto a admitir que preciso separar o João ‘Pessoa Física’ do João ‘Pessoa Jurídica’, pois estou prejudicando muitas pessoas”, diz um trecho.
O ex-CEO da Hurb ainda afirma estar envergonhado por não ter deixado sua equipe orgulhosa, além de dizer que precisa de um tempo para refletir.
Segundo Mendes, o atual conselheiro geral da Hurb, Otávio Brissant assumirá o cargo de CEO interinamente a partir das 23h59 desta segunda-feira. Apesar da mudança, ele diz que está disposto a ajudar como um “fundador sem função executiva”.
Depois de deixar uma mensagem à equipe da Hurb, o ex-CEO finaliza a carta citando a música “Till I Collapse”, de rapper Eminem.
“Às vezes, você só se sente cansado, fraco. E quando você se sente fraco, você sente que quer desistir. Mas você tem que procurar dentro de você, encontrar aquela força interior e tirar essa merda de dentro de você. E conseguir a motivação para não desistir”, diz trecho traduzido.
Alerta sobre ofertas de viagens
No início do mês, o Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) alertou os consumidores a respeito de plataformas virtuais que vendem pacotes de viagens com grandes ofertas. Segundo o órgão, o cumprimento da oferta está sendo frequentemente desrespeitado pelas empresas.
Para garantir o respeito ao Código de Defesa do Consumidor (CDC), o Procon sugere que os clientes fiquem atentos aos termos do contrato firmado e exijam que as ofertas apresentadas nas publicidades sejam cumpridas.
Conforme explica o órgão, as empresas de viagens usam seus sites e aplicativos para fazer uma oferta “tentadora” de um pacote, indicando o período no qual o cliente poderá viajar, que pode ser depois de dois anos.
O consumidor indica três datas dentro desse período para a realização da viagem. Antes disso, porém, a empresa exige que o pagamento seja feito. Só então, o cliente tem acesso ao formulário para indicar as datas de sua preferência.
A plataforma verifica a disponibilidade das datas sugeridas e faz o agendamento com pelo menos 45 dias de antecedência, podendo a viagem ser marcada para uma data próxima de uma daquelas sugeridas no formulário.
No entanto, segundo o Procon, é aí que o problema acontece: em vez de enviarem um e-mail com a confirmação da viagem, as empresas frequentemente informam sobre a indisponibilidade das datas escolhidas pelo cliente e o orientam a entrar em contato para indicar outras datas.
Multa
Como o consumidor nem sempre tem disponibilidade para viajar em datas diferentes, ele pode decidir cancelar o contrato. Neste momento, ele é avisado de que terá que arcar com uma multa.
O coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa, afirma que, nesse caso, não cabe ao cliente encontrar a alternativa.
“O consumidor atendeu às normas estabelecidas, fez o pagamento e se programou para aquelas datas indicadas no formulário. A empresa é obrigada a fornecer o serviço conforme a oferta apresentada”, esclarece.
Segundo ele, se o consumidor paga um preço promocional, é porque esse preço está sendo ofertado. Se está sendo ofertado, tem que ser cumprido, conforme dispõe o artigo 30 do CDC. “Algumas empresas alegam que sem a disponibilização de promoções, não conseguem cumprir a oferta, ou seja, estamos diante de um típico caso de publicidade enganosa”, completa.
O que fazer?
O Procon Assembleia diz que, assim como plataformas virtuais de proteção do consumidor, tem recebido um grande número de reclamações, que vão desde a dificuldade de contato com as empresas para resolver o problema até a cobrança indevida de multas para cancelamento.
Marcelo Barbosa orienta que o consumidor pode, à sua escolha, exigir o efetivo cumprimento da oferta, aceitar um serviço equivalente ou rescindir o contrato, com direito à devolução da quantia paga corrigida monetariamente, além de perdas e danos.
Por isso, o órgão orienta o consumidor a imprimir a oferta publicada e registrar uma reclamação em um órgão de defesa do consumidor, a fim de resguardar seus direitos.
Fonte: Bhaz/ALMG
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