Moraes defende regulamentação do impulsionamento e monetização de conteúdos

Moraes discursou no seminário “Liberdade de Expressão, Redes Sociais e Democracia”, organizado nesta segunda-feira pela Rede Globo, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e...

Publicado em

Por Agência Estado

Relator dos processos sobre fakenews e atos antidemocráticos no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes defendeu nesta segunda-feira, 13, a regulamentação do impulsionamento e monetização de conteúdos na internet, além da transparência de algoritmos em redes sociais. O objetivo é implicar as bigtechs, grandes empresas de tecnologia, no esforço de evitar a disseminação de notícias falsas e ataques às instituições democráticas.

Moraes discursou no seminário “Liberdade de Expressão, Redes Sociais e Democracia”, organizado nesta segunda-feira pela Rede Globo, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) na sede da Fundação, Zona Sul do Rio.

O magistrado evocou diversas vezes a responsabilidade dessas empresas e garantiu que o País não vai admitir que as redes sociais sejam tratadas como “terra sem lei”. “Se você impulsionou (um conteúdo), tem que ter responsabilidade porque você está ganhando dinheiro. Para direcionar e impulsionar uma informação, você tem de checá-la”, disse Moraes.

“Não precisamos definir o que é fakenews ou que toda informação seja checada pelas plataformas, mas podemos exigir que essas plataformas tenham responsabilidade e maior transparência na utilização de algoritmos para que qualquer plataforma deixe de ser algo inerte. Com isso, daríamos um salto gigantesco de qualidade na alteração da estrutura negocial e gerencial das bigtechs”, continuou.

Ele defendeu que as grandes empresas de tecnologia donas de redes sociais e sites de buscas apliquem as táticas de controle à pornografia infantil e pedofilia para restringir conteúdos antidemocráticos. Segundo o ministro, até 93% dos conteúdos impróprios no primeiro caso são barrados por algoritmos, e o que passa, por haver dúvida, é filtrado por uma equipe dedicada à função.

Moraes sugeriu que as redes sociais podem se auto regular, com o Judiciário atuando da definição de pré-requisitos e critérios de responsabilização.

Extrema direita

No discurso, Moraes analisou longamente o processo de disseminação das fakenews. Logo no início da fala, ele fez um mea-culpa, ao dizer que a institucionalidade do País foi alertada à respeito até seis anos atrás, mas não tomou uma providência.

“Ignoramos os alertas vindos da sociedade de quatro, cinco, seis anos atrás. Acabamos todos achando que seria algo auto regulável e passageiro. Não é auto regulável, muito menos passageiro. É perigosíssimo se deixarmos de analisar as causas, efeitos e reflexos não só para questões institucionais, mas para questões pessoais”, disse Moraes ao citar casos de bullying e os chamados “cancelamentos” nas redes sociais, causadores de depressão e até suicídio de usuários.

Para Moraes, o princípio básico do combate a esse cenário é aplicar as regras válidas no mundo real ao mundo virtual. “A Constituição veda o anonimato no mundo real e no virtual. Por que eu posso ficar escondido atrás de um robozinho para ofender e atacar as pessoas? Por que eu posso criar gabinetes de ódio para ferir a democracia no virtual, se, no real, eu não faço porque e não tenho coragem e a legislação está de olho?”, questionou o ministro.

Segundo ele, movimentos de extrema direita se aproveitaram das redes sociais para, primeiro, desmoralizar a imprensa e, depois, atacar a república na figura das eleições.

“Uma extrema direita radicalíssima percebeu de forma extremamente competente que era possível manipular essas informações, o acesso a informações. Passou a manipular os olhos internos, as revoltas, os traumas de diversos segmentos da sociedade, juntar essas pessoas virtualmente e a partir disso instrumentalizá-las. Redes sociais e bigtechs foram instrumentalizadas no 8 de janeiro”, afirmou sobre os ataques ao Congresso, Supremo e Planalto.

Segundo o ministro, toda a organização dos atos de vandalismo do dia 8 de janeiro aconteceu pelas redes sociais, sem o menor disfarce, o que poderia ter sido impedido se as grandes empresas controladoras das plataformas atuassem ativamente contra conteúdos antidemocráticos.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X