Dólar cai 0,64% e fecha no menor nível desde 2 de fevereiro

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, afirma que a combinação de “ausência de notícias ruins” no Brasil com exterior menos pressionado abriu espaço...

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Por Agência Estado

O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira, 23, no mercado doméstico de câmbio em queda de 0,64%, a R$ 5,1356 – menor valor de fechamento desde 2 de fevereiro. O real se sobressaiu hoje entre divisas emergentes e de países exportadores de commodities. Operadores atribuíram o desempenho da moeda brasileira a fluxos pontuais, ajustes técnicos e desmonte de posições defensivas no mercado futuro de câmbio.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, afirma que a combinação de “ausência de notícias ruins” no Brasil com exterior menos pressionado abriu espaço para uma recuperação do real frente a pares hoje. “Mas acho difícil o dólar voltar para R$ 5,00 se não houver um fato concreto da parte do governo para pôr as coisas nos eixos. Por enquanto, ainda estamos na frase do morde e assopra”, diz Galhardo, em referência à dinâmica que contrapõe discursos mais amenos da equipe econômica, que promete o novo arcabouço fiscal para março, a ataques de Lula à política monetária.

No exterior, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes – operou na maior parte do dia alternando entre ligeiras altas e baixas, ao redor dos 104,600 pontos. Dados da economia americana divulgados pela manhã não alteraram a perspectiva para o ritmo de a magnitude do aperto monetário no EUA. A segunda leitura do PIB americano mostrou crescimento anualizado de 2,7% no quarto trimestre, aquém do esperado (2,9%), e o índice de preços de gastos com consumo (PCE) foi revisado para cima, com taxa anualizada de 2,7% no quarto trimestre (de 3,2%).

Ontem, em sua ata, o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) alertou que será necessária uma desaceleração do crescimento para pôr a inflação rumo à meta e que existe ainda chance elevada de os EUA entrarem em recessão em 2023. Houve inversão da curva de juros americana, com as taxas dos títulos de 10 anos superando o retorno dos papéis de 30 anos – o que é visto como prenúncio de retração da atividade.

“A ata do Fomc comitê de política monetária do Fed ontem diminui o otimismo do mercado em relação a um corte de juros neste ano. Há expectativa é de que alta da taxa por mais tempo, com o mercado de trabalho ainda bastante aquecido”, afirma a head de câmbio da One Investimentos, Lara Rates, ressaltando que o mercado deve monitorar de perto amanhã a divulgação do PCE, medida de inflação preferida pelo Fed.

Dados divulgados pelo Banco Central no início da tarde mostraram fluxo cambial positivo de US$ 1,706 bilhão na semana passada (de 13 a 17 fevereiro), com entrada líquida de US$ 636 milhões no canal financeiro e US$ 1,070 bilhão via comércio exterior. No acumulado de fevereiro (até dia 17), o fluxo é positivo em US$ 5,357 bilhões, sendo US$ 2,251 bilhões pelo canal financeiro.

Nas mesas de operação, comenta-se que pode estar em curso, porém, um arrefecimento do apetite do capital externo por ativos locais. Chamou a atenção o fato de os estrangeiros terem retirado R$ 3,139 bilhões da B3 na sessão de sexta-feira, 17. No acumulado do ano, contudo, o saldo é positivo em R$ 11,728 bilhões.

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