Fiesp: indústria paulista está confiante nas vendas e cautelosa com investimento

Apesar do otimismo, manifestado por mais de 40% dos industriais, sobre as vendas deste ano, o levantamento revela pouca empolgação nas perspectivas de lucro, tópico no...

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Por Agência Estado

Em um ambiente de incertezas sobre a condução da política econômica do novo governo e preocupações com os juros mais altos, a indústria paulista está cautelosa quanto ao desempenho de seus negócios neste ano. Pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre as perspectivas para 2023 mostra neutralidade – ou seja, nem otimismo nem pessimismo – no sentimento dos empresários do setor em relação a lucro, criação de empregos e investimentos. Por outro lado, o pessimismo se mostra evidente nas previsões ao custo de produção.

Apesar do otimismo, manifestado por mais de 40% dos industriais, sobre as vendas deste ano, o levantamento revela pouca empolgação nas perspectivas de lucro, tópico no qual a maior parte dos entrevistados (42,1%) respondeu não estar nem otimista nem pessimista neste momento.

Depois de um período de irregularidade no fornecimento de insumos em alguns setores, a pesquisa da Fiesp mostra que 71% das empresas avaliam como normal a disponibilidade atual de matérias-primas. Porém, o desânimo é claro quando se trata de custo, o que explica o conservadorismo em relação ao lucro. Mais da metade dos empresários da indústria paulista (55,6%) está pessimista ou muito pessimista em relação aos custos. Para 58% deles, haverá aumento de custo de até 30% durante o ano.

“Há indicação do setor de uma normalidade no fornecimento de matérias-primas, entretanto, com preço maior do que no ano de 2022”, diz o economista-chefe da Fiesp, Igor Rocha.

A tendência de estabilidade é apontada por mais de 40% dos empresários quando questionados sobre emprego e planos de investimento. Os 60% restantes se dividem entre expectativas de redução e ampliação dos investimentos, com ligeira prevalência do pessimismo, dada a elevação dos juros.

Para Rocha, o levantamento reforça a urgência de o Brasil aprovar a reforma tributária e definir um novo arcabouço fiscal para, junto com uma taxa de juros em linha com o padrão internacional, voltar a atrair investimentos.

Obtida com exclusividade pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a pesquisa foi feita pelo departamento de economia da Fiesp durante a segunda quinzena de janeiro. Foram consultados representantes de 394 empresas da indústria de transformação de todo o Estado.

A estabilidade não só econômica como também institucional do País foi apontada pelos empresários como os temas mais importantes deste ano, junto com a reforma tributária, a desoneração da folha de pagamentos e os juros. “Os empresários citaram os assuntos que são de importância para o setor e que, com a espera de uma definição, ampliam a cautela”, comenta Rocha.

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