Taxas curtas sobem e longas ficam de lado com ajustes pós-Copom

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 13,69%, de 13,58% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro...

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Por Agência Estado

Os juros futuros fecharam com taxa curtas e intermediárias em alta e longas estáveis nesta quinta-feira, 2. A curva perdeu inclinação nesta quinta-feira de ajustes tanto ao comunicado do Copom quanto à sinalização lida majoritariamente como “dovish” do Federal Reserve, refletindo a redução das apostas de corte da Selic e a melhora da perspectiva sobre o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos. Diante da expectativa mais conservadora para a trajetória do juro básico, o apetite dos investidores por papéis prefixados de curto prazo ficou reduzido no leilão do Tesouro.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 13,69%, de 13,58% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 12,88% e rompeu os 13%, a 13,05%. A do DI para janeiro de 2027 encerrou estável a 12,90% e a do DI para janeiro de 2029, também estável, fechou em 13,07%. O recado do Copom igualmente teve efeito sobre a inflação implícita das Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) no mercado secundário, com queda generalizada.

Para se ter ideia do impacto sobre a inclinação da curva, o diferencial entre os vértices janeiro de 2029 e janeiro de 2025, que vinha rondando o nível de 20 pontos-base nos últimos dias, estava zerado no fechamento dos negócios. O alívio dos longos contou não somente com a sinalização do Copom, mas também com a queda do rendimento dos Treasuries, em resposta ao Fed.

Ontem, após o Copom, os especialistas já contavam com pressão de alta até os vértices intermediários, na esteira do alerta dos diretores de que o atual nível de desancoragem das expectativas pode exigir Selic estável por mais tempo do que o previsto, somado às incertezas fiscais. Embora os dirigentes não tenham descartado retomar o aperto caso não haja convergência às metas, o plano de voo da autoridade monetária parece ser o de esticar o período de manutenção do juro em nível elevado.

Nos DIs, a precificação para a Selic no fim de 2023, que ontem era em torno de 13%, hoje subiu para 13,25%. A aposta para o início do ciclo de quedas em agosto que prevalecia ontem, hoje é residual. “Em setembro mesmo que começa a ter precificação mais clara”, afirma Flávio Serrano, economista da BlueLine Asset. Para 2024, a curva embute um orçamento total de 110 pontos de redução na taxa básica.

Na avaliação do economista-chefe do Banco Modal, Felipe Sichel, a comunicação agressiva do Copom vem na esteira de um mês “deletério” em termos de sinalização do governo, com questionamentos sobre as metas de inflação induzindo a deterioração das expectativas. Para ele, não há espaço para reduzir a Selic enquanto perdurar a discussão sobre as metas e se não houver recuo nas projeções de IPCA. “O ambiente é pouco convidativo para qualquer alívio e segue desafiador enquanto não se resolverem questões políticas de forma crível”, acrescenta o economista. Hoje, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), criticou a taxa de juros de 13,75% e defendeu que o Brasil precisa “urgente” de crescimento. “O País não pode ficar esperando que o Banco Central caia na real”, publicou nas redes sociais.

A redução do espaço para a flexibilização da política monetária parece também ter afetado a demanda por papéis prefixados no leilão do Tesouro. Das 7 milhões de LTN ofertadas, o Tesouro vendeu apenas 1,085 milhão, não aceitando propostas no vértice mais curto (1º/4/2024). Já o lote de 600 mil NTN-F, bem menor do que a oferta de 1,5 milhão na semana passada, teve demanda integral.

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