Sonia Guajajara assume Ministério dos Povos Indígenas e diz: ‘Sem anistia’

O grito foi acompanhado pelos convidados que lotaram o Palácio do Planalto, em uma cerimônia acompanhada por ministros e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva...

Publicado em

Por Agência Estado

A cerimônia de posse de Sonia Guajajara à frente do Ministério dos Povos Indígenas foi marcada por protestos contra todas as injustiças históricas cometidas contra os povos originários e um grito por justiça. “Sem anistia!”, disse Sonia, em seu discurso, ao discorrer sobre as ações do governo Bolsonaro relacionadas aos povos indígenas.

O grito foi acompanhado pelos convidados que lotaram o Palácio do Planalto, em uma cerimônia acompanhada por ministros e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Janja. Lula apenas observou a manifestação.

A declaração “sem anistia” passou a ser usada para se referir ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sua família e membros de seu governo, para que a Justiça seja feita em relação a cada processo aberto contra a gestão bolsonarista, sem “perdão judicial”.

Na cerimônia de posse, que contou música e dança de indígenas para celebrar o ato, Sonia Guajajara celebrou “o reconhecimento deste protagonismo dos povos indígenas frente a preservação do meio ambiente e justiça climática, ao criar este Ministério inédito na história do Brasil”.

A ministra fez referência aos ataques de golpistas ocorridos na capital federal e disse que os povos originários resistem há mais de 500 anos, “a diários ataques covardes e violentos, tão chocantes e aterrorizantes como vimos neste último domingo aqui em Brasília, porém sempre menos visibilizados”.

Sonia lembrou que, durante a pandemia da Covid-19, “os povos indígenas do Brasil tiveram milhares de vidas ceifadas pelo negacionismo científico e criminoso do governo anterior, democraticamente derrotado nas urnas pelo voto popular em 2022?.

Segundo a ministra, “as dificuldades no acesso aos serviços de saúde, de saneamento e as falsas informações propagadas, potencializaram literalmente um plano de genocídio”. Estamos aqui, de pé! Para mostrar que não iremos nos render.”

Uma das primeiras medidas que tomará à frente do ministério será dar andamento ao processo de homologação de 13 terras indígenas que já estavam em fase final de serem reconhecidas, mas que tiveram a decisão engavetada por Bolsonaro, que se empenhou única e exclusivamente em tentar abrir o acesso de terras demarcadas para exploração mineral e pelo agronegócio.

Sonia destacou os casos graves de de intoxicações provocados por mercúrio dos garimpos, pelos agrotóxicos nas grandes lavouras do agronegócio, invasões de territórios, condições degradantes de saúde e saneamento e aumento da insegurança alimentar, situações que resultaram na morte de inúmeras crianças e idosos indígenas e na desproteção dos territórios onde vivem povos indígenas isolados. “Lembrando que, na Amazônia brasileira, somam-se 114 grupos de povos de recente contato ou também os que nunca tiveram nenhum contato com a sociedade. Os chamados povos isolados, e que se encontram em estado de alta vulnerabilidade, devido ao desmatamento, garimpo ilegal e a grilagem de terras”, disse a ministra.

O discurso também incluiu homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Philips, brutalmente assassinados no Vale do Javari, no Amazonas, além da situação extrema em que vive o povo Yanomami, em Roraima. “Presidente Lula, arrisco dizer, sem exagero, que muitos povos indígenas vivem uma verdadeira crise humanitária em nosso país e agora estou aqui para trabalharmos juntos, para acabar com a normalização deste estado inconstitucional que se agravou nestes últimos anos”, disse a ministra.

Sonia lembrou que as terras indígenas e demais territórios habitados por povos e comunidades tradicionais são, ao lado de unidades de conservação, essenciais para conter o desmatamento no Brasil e para combater a emergência climática. “Se, antes, as demarcações tinham enfoque sobretudo na preservação da nossa cultura, novos estudos vêm demonstrando que a manutenção dessas áreas tem uma importância ainda mais abrangente, sendo fundamentais para a estabilidade de ecossistemas em todo o planeta, assegurando qualidade de vida, inclusive nas grandes cidades. Daí a importância de reconhecer os direitos originários dos Povos Indígenas sob as terras em que vivem.”

Na cerimônia de posse foi apresentada a equipe que vai ocupar o ministério. Eloy Terena será secretário executivo; Jozi Kaigang a chefe de gabinete; Eunice Kerexu será secretária de Direitos Ambientais e Territoriais; Ceiça Pitaguary assume a Secretária de Gestão Ambiental e Territorial Indígena; Juma Xipaia fica com a secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas; e Marcos Xucuru será assessor Especial da pasta. A ministra anunciou, ainda, a recriação do Conselho Nacional de Política Indigenista, que garante a participação paritária entre representações indígenas de todos os Estados brasileiros e órgãos do executivo federal.

“Sabemos que não será fácil superar 522 anos em quatro. Mas estamos dispostos a fazer desse momento a grande retomada da força ancestral da alma e espírito brasileiros. Nunca mais um Brasil sem nós”, concluiu Sonia Guajajara.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X