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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

São Paulo: 1,6% da população sofreu estresse pós-traumático em 2022

Os resultados do estudo indicam uma baixa prevalência do transtorno, no entanto, os pesquisadores alertam para o grande número de casos subsindrômicos, ou seja, aqueles em......

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Por CGN

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Após tal situação [de trauma] o indivíduo desenvolve uma série de reações físicas e psicológicas de longa duração que geram intenso sofrimento. Os sintomas incluem angústia e ansiedade intensas, pesadelos, flashbacks, pensamentos disfuncionais entre outros sintomas”.

Os resultados do estudo indicam uma baixa prevalência do transtorno, no entanto, os pesquisadores alertam para o grande número de casos subsindrômicos, ou seja, aqueles em que a pessoa não apresenta todos os sintomas que configuram o transtorno, mas fica no limiar.

“A presença de um transtorno psiquiátrico numa pessoa é dada a partir de um conjunto de sinais e sintomas. Coletamos tais sinais e sintomas e, a partir de um certo número deles, consideramos que a pessoa tem a doença. Naquelas que têm um número de sintomas abaixo desse 'limiar' que o manual considera doença, a presença de sintomas intensos pode ser fonte de grande sofrimento. Por isso, temos que atentar para elas, pois elas têm um risco mais alto tanto de desenvolver o TEPT, quanto têm um maior risco de outros transtornos”, alerta Coelho.

O estudo contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e foi o primeiro a avaliar a Região Metropolitana de maneira sistemática, com uma amostra representativa da população.

Ao todo foram ouvidos 5.037 voluntários adultos. A iniciativa integra uma pesquisa maior, intitulada The São Paulo Megacity Mental Health Survey (Pesquisa sobre saúde mental na grande São Paulo), conduzida no âmbito do consórcio internacional World Mental Health (WMH), coordenado pela Organização Mundial de Saúde e pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, com mais de 20 países participantes.

Sintomas e traumas

A intensidade e a frequência dos sintomas do TEPT também são aspectos relevantes, completa explica Wang Yuan Pang, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), que coordenou o levantamento.

“São pessoas que estão muito sobressaltadas, que têm reações exageradas a vários estímulos e com ansiedade e depressão subsequente. Esses sintomas são sentidos todos os dias. É um problema altamente disfuncional, a pessoa não consegue trabalhar e levar uma vida minimamente satisfatória. Vale ressaltar que os casos subsindrômicos também podem ser disfuncionais”, diz.

O estudo mostra que os traumas mais relatados estão relacionados ao ato de testemunhar alguém sendo ferido ou morto ou ver um cadáver inesperadamente (35,7%) e ser assaltado ou ameaçado com uma arma (34%).

Segundo o estudo, os eventos mais comuns para os casos subsindrômicos foram morte súbita e inesperada de um ente querido (34%), violência interpessoal (31%) e ameaças à integridade física de outras pessoas (25%).

Somado aos fatores sociais, para as mulheres há ainda o fator biológico, afirma Coelho. “Mas há também, nas mulheres, uma maior vulnerabilidade biológica a transtornos de ansiedade no geral e à depressão”.

“Levando em consideração os casos muito graves de depressão, pânico, ansiedade e outros transtornos, estimamos que aproximadamente 1 milhão de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo necessitam de tratamento especializado. Porém, somente 10% dos pacientes muito graves conseguiram receber algum tipo de atendimento, seja no serviço público ou no setor particular”.

Coelho afirma que o tratamento dos casos envolve a psicoterapia, “principalmente as psicoterapias cognitivo-comportamentais e medicações psiquiátricas”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil

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